sábado, 31 de maio de 2008

Alguém me satisfaz uma dúvida ?..

De há uns tempos a esta parte que deixei de ver/ouvir o senhor comendador Joe Berardo nos ecrãs das nossas televisões; em todas as televisões e, em particular, na SIC.
Ora, será por causa disso ?..
‘Operação Furacão’ Caso Berardo envolve nata política da Madeira
Entretanto, não haverá, por aí, um qualquer jornalista que possa fazer uma pergunta ao senhor comendador :
- como é que o senhor comendador enriqueceu ?
Seria importante, no entanto, que o senhor comendador fizesse o favor de explicar a “coisa”, d-e-v-a-g-a-r-i-n-h-o, por forma a que, eu, possa perceber…

Direct@s ao ‘Centrão’

No PSD, a luta pela liderança tem sido desde o início determinada pela figura tutelar de Sócrates. Sobre questões de conteúdo, programas, políticas, alterações, apenas o vazio (quase) total. Como, aliás, era de esperar. Ainda assim, o único que arriscou algumas medidas mais objectivas em termos de alterar o actual panorama, não conta para esta decisão. Se calhar por isso é que arriscou, não tinha nada a perder.

Pelo que o resultado final parece resumir-se a encontrar o par ideal para Sócrates: a escolha entre um sósia – o assumido liberal Passos Coelho – ou uma sócia – a envergonhada social-democrata Ferreira Leite. A avaliar pelas prestações de cada um no decurso da campanha, é de esperar apenas e só a continuidade do centrão (o que significa, é certo, o seu reforço). Duma maneira ou doutra, portanto, ainda que com ligeiros retoques, meras questões de estilo, perfil, mais ou menos rimel (ou mesmo nenhum)...

Sobre o outro... Mas ainda alguém leva a sério o Sr. Lopes? Só ele mesmo e... talvez algumas ‘santanetes’ (eles e elas, é claro).

DIZER NÃO AO ASSALTO ...

E tu e eu, o que é que vamos fazer ?..

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Dia 3 de Junho : eu, vou lá estar ...


Eu, por mím, vou lá estar porque :
- «a ideia é juntar o que está disperso, juntar pessoas de esquerda sem alimentar ilusões»
- «é tempo de buscar os diálogos abertos e o sentido da responsabilidade democrática que tem de se impor contra o pensamento único, a injustiça e a desigualdade»
- «numa democracia moderna, os direitos políticos são inseparáveis dos direitos sociais»
- «se estes (direitos) recuam, a democracia fica diminuida»
E porque, também, acredito que não nos podemos, nem devemos resignar perante as dificuldades e, tal como escreveu Miguel Torga, :
“Temos nas nossas mãos / o terrível poder de recusar.”

Mas, também, o poder de afirmar e de dar vida à democracia.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

‘Prós e Contras’: dois momentos paradigmáticos

2º momento: a resolução das crises segundo Teodora
O outro momento é protagonizado por Teodora Cardoso. Tentativa desajeitada, digo eu, extemporânea mesmo, até pelo facto de surgir de alguém fortemente conotada (no mínimo) com o PS e não de qualquer dos elementos mais liberais presentes na sala (resmas deles, aliás, como de costume).
Quase em jeito de resposta ao autêntico desafio à ortodoxia estabelecida, por parte de Sérgio Ribeiro e com o propósito de mostrar mais o seu distanciamento (por receio de conotação abusiva?) do que por firme convicção, aproveitando falar-se da actual crise mundial (que começou por ser financeira e com origem nos EUA, mas já alastrou aos restantes domínios económicos e regiões do planeta), fez questão de afirmar, voltando-se para o ‘hereje’, que é aqui que se encontra ‘a grande vantagem do sistema capitalista: não podemos imaginar que o sistema capitalista vive sem crises (elas são parte integrante do sistema capitalista), mas é o único que resolve as crises’ (!). E, a concluir, a inevitável e resignada invocação divina: ‘não podemos fazer milagres’.

Ouve-se, volta a ouvir-se e quase não dá para acreditar. A lógica redundante deste raciocínio ensimesmado só encontra paralelo na pretensa ‘lei da oferta e da procura’, em que um processo meramente descritivo é apresentado como axioma científico de valor equiparável às mais consagradas leis da física, da química, da biologia,... (mais ou menos assim: a oferta cria a sua procura, a procura cria a sua própria oferta...; o capitalismo gera crises periódicas, as crises periódicas só são resolvidas pelo capitalismo... Notável!!!)

Mas deixando de lado a análise à tautologia de tais raciocínios (profundamente enraizados e tidos como intocáveis no discurso da ideologia corrente, cuja razoabilidade ninguém se atreve a questionar), atenhamo-nos, apenas, ao conteúdo de tão peremptória e fulminante proposição – o sistema capitalista é o único que resolve as crises – para perguntar: Resolverá mesmo? Com que custos, humanos e materiais? Quais as sequelas históricas? E até quando?
Apetece dizer: vai chegar o dia (é a 'lei da vida') em que o capitalismo já não conseguirá resolver coisa nenhuma, restando apenas saber se, nessa altura, ainda restará alguma coisa. Porventura, bem mais cedo do que muitos esperam, seguramente bem mais tarde do que muitos desejam.

‘Prós e Contras’: dois momentos paradigmáticos

1º Momento: um marxista 'atrevido'
Refiro, desde já, não ser um especial adepto deste programa, por razões que ainda hei-de expor noutra ocasião. Mas, do da última segunda-feira, tenho a destacar, do que vi, dois momentos particularmente elucidativos.
O primeiro ocorreu logo ao ligar a televisão, que coincidiu com o início da intervenção do Sérgio Ribeiro: a propósito do tema em debate (‘Crise económica – como vamos resistir?’), este ousou o supremo atrevimento de o abordar a partir de uma perspectiva ideológica maldita, com uma linguagem há muito proscrita dos ‘media’. Munido de notável calma e de uma lógica irrefutável, valendo-se da experiência de mais de quarenta anos como economista, recorrendo à autoridade académica de figuras tão insuspeitas como Sedas Nunes, arriscou a defesa do ‘velhinho’ pensamento marxista em contraposição à aceitação acrítica do ‘modernaço’ pensamento neoliberal, para explicar o que está a acontecer na economia mundial, que não pode ser reduzida a um conjunto de quadros estatísticos, pois por trás destes encontram-se pessoas envolvidas em determinadas relações sociais.

Por um momento, o insuportável vedetismo da apresentadora eclipsou-se, ainda tentou suscitar da outra parte uma reacção (que entretanto esboçava um sorriso entre o sarcástico e o nervoso), mas como esta não apareceu (por receio? por desdém?), limitou-se a deixar fluir o comentário do ‘atrevido marxista’. Por um momento o silêncio da sala pareceu traduzir sobretudo a perplexidade pela irrompante ousadia deste ‘out-sider’ do sistema, mas quero crer que as suas palavras, naquele contexto, soaram também como um aviso – e os avisos ouvem-se em silêncio – que a plateia entendeu, naturalmente, de modos diversos.

Transmitida a essência da mensagem, ao orador não restou, é certo, outra alternativa que voltar a debater o tema nos estritos parâmetros e com os conceitos da ortodoxia do pensamento único, o que é significativo da dificuldade em romper o muro ideológico que cerca as actuais práticas sociais e traduz os limites de qualquer actuação política. Mas fica o registo de uma intervenção feita sem o habitual recurso a camuflagens nem a rebuscadas figuras de estilo em que se acantonou o discurso alternativo, apenas com o propósito de tornar aceitável, por vezes até só audível, mensagens que doutro modo o não seriam.
Alguma coisa, pois, também aqui, parece estar a mudar. Aguardemos.

Indiferentes : até quando ?..

Isto é “apenas” o maior e mais grave falhanço da democracia portuguesa.

Mui provavelmente, por isso e no entretanto, Mário Soares, em artigo de opinião, afirmou no DN que :
" ... depois de duas décadas de neoliberalismo, puro e duro, (...) uma boa parte da esquerda, dita moderada e Europeia, parece não ter ainda compreendido que o neoliberalismo está esgotado.../... que a saúde, a educação, o desemprego, a previdência social, o trabalho, são questões verdadeiramente prioritárias.../...urge fortalecer o Estado para os tempos que aí vem e não entregar a riqueza aos privados. Não serão eles [os privados], seguramente, que irão lutar, sériamente, contra a pobreza e reduzir drasticamente as desigualdades. "

Entretanto, para não "destoar" e pelas vozes de umas tantas "carpideiras", o PS responde aos avisos de Soares.

José Sócrates, qual "socialista de plástico", reconheceu o "momento de dificuldade" que Portugal atravessa manifestando "total compreensão" pelos problemas que afectam a população, mas recordou a "situação social muito desequilibrada" deixada pelo PSD.

Ora, perante isso, perante tudo isso, só acho, mesmo, que os socialistas (que, ainda e agora, militam neste PS) não podem, de todo, ficar indiferentes a esta actual Direcção Politica do PS
que é uma parte activa da neoliberalização gradual do país, que gerou uma imensa fractura social e um modelo económico que, e tal como reconhece Mário Soares, está esgotado.

Sendo assim, e por tudo isso, até quando vamos continuar, mesmo, indiferentes ?..

terça-feira, 27 de maio de 2008

Combustíveis : e por que não nacionalizar ?..

Se a sobreposição do poder económico sobre o poder político deixou, por cá, de ser uma teoria para passar a facto consumado.
Se o mercado regulado por si próprio deixa de ter regulação.
Ora, então, porque é que eu não (me) posso interrogar :
Por que não nacionalizar? ( Mário Crespo, no Jornal de Notícias )

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Liberais envergonhados?

Mas a história dos ‘liberais enrascados’ não fica apenas por ali.
Esbravejando por tudo quanto se lhes ofereça como areópago publicitário para as suas ideias e pessoas, sabendo do eco que tais alaridos encontram numa opinião pública desorientada, porque fustigada por golpes sucessivos aos seus já muito depauperados recursos, arengam em defesa da tese (nada ortodoxa segundo os cânones liberais), de que o Estado tem de intervir para pôr cobro à imparável escalada dos preços nos combustíveis. Uns mais liberais que outros, é certo, advogam como medidas, ora a redução dos impostos que sobre eles impendem, ora o combate à especulação dos preços. Mas como, sabendo que esta se gera sobretudo no exterior? Ninguém sabe.

Importante mesmo é ficar registado perante a opinião pública que fulano, cicrano ou beltrano, todos liberais convictos de ‘antes quebrar que torcer’, demonstraram denodado empenho ao lado dos espoliados e ofendidos na luta contra este autêntico saque ao bolso do consumidor. A ocasião tanto pode ser proporcionada por uma campanha de candidatos a candidatos à governação (PSD/PC, de Passos Coelho), como fabricada em operação montada, para maior impacto mediático, do outro lado da fronteira (CDS/PP, das duas ‘coisas’). Com voz trémula, embargada pela comoção – “coitadinhos dos pobrezinhos” – balbuciam entaramelados conceitos em torno, pasme-se, da necessidade de reforço do Estado Social!

Ou seja, a coerência na defesa do mercado livre conhece 'apenas' um limite: o dos interesses. Sejam eles económicos, políticos ou meramente de promoção pessoal. Invoca-se (ou exige-se mesmo) a intervenção do Estado sempre que dá jeito uma ajudazinha ao mercado, é que também ele, por vezes, evidencia as suas falhas, demonstra-se manco... Moldam-se, enfim, os princípios à medida dos interesses. Afinal, alguma coisa de novo?

Liberais enrascados?

E, de repente, levanta-se um clamor frenético, vindo sobretudo do lado que, supostamente, menos era esperado, porque dito liberal, exigindo a ... intervenção do Estado. Para actuar ao nível da segurança do País ou dos cidadãos? Para aplicação de uma justiça mais célere e (já agora) mais justa? Para um qualquer protesto diplomático perante uma alegada ofensa à honra da pátria? Para, vá lá, corrigir situações de extrema penúria na defesa da dignidade das pessoas? Estas, de facto, as quase únicas áreas que os liberais toleram e admitem para a intervenção do Estado. Em tudo o resto é ao mercado que compete decidir, já agora livre de constrangimentos - por razões de neutralidade económica e de eficácia nos resultados, acrescentam.

Desta feita, porém, o insistente pedido de intervenção diz respeito, imagine-se, ao próprio funcionamento do mercado: o mercado dos combustíveis, dizem, está descontrolado, exige-se a intervenção do Estado. O pretexto é, ele próprio, uma prova de que a defesa do mercado livre só funciona num sentido, que a auto-regulação do mercado é uma falácia (logo que se sinta ameaçado ou em risco...): afinal, em Espanha, os nossos vizinhos passeiam-se à conta de um gasóleo e gasolina mais baratos 20 ou 30 cêntimos!
A única novidade, se é que o chega a ser mesmo, reside no tempo desta peça. Ela desenrola-se precisamente logo após o governo (um dos anteriores a este), ter decidido liberalizar o mercado dos combustíveis. Afiançava-se, então, que a maior concorrência iria permitir benefícios para o consumidor. O que se passou, afinal, foi exactamente o contrário. Os preços nunca mais deixaram de subir. Não por culpa da concorrência, mas do mercado, apressam-se a esclarecer. Mas então a concorrência não é componente essencial do mercado? Perplexidades bastantes perante a «concorrência» de tantos factores a contribuir para baralhar e, o que é pior, espoliar o indefeso consumidor.

Não fora a choruda sorte que nestas alturas generosamente atinge os que mais lucram com as teorias liberais, dir-se-ia que os pressurosos paladinos deste liberalismo serôdio andam mesmo com grande azar. A confirmação, afinal, de que a intransigência na liberalização do mercado se rege 'apenas' por uma máxima política: socialização dos riscos, privatização dos lucros.

Uma boa notícia : Colóquio Letras, grátis !..


Ao longo de cerca de dez anos a Colóquio/Letras coligiu de forma sistemática informação detalhada sobre os textos publicados nas suas páginas com o objectivo de vir a disponibilizar, ao seu público e à comunidade científica em geral, novas formas de exploração de conteúdos que ultrapassassem a linearidade, e até a temporalidade, da difusão da publicação impressa.

Em todos os pontos de acesso e formas de exploração da informação, estão agregados os próprios textos e imagens da Colóquio/Letras (com a excepção dos números mais recentes). Este serviço valoriza inequivocamente o investimento feito pela Fundação Calouste Gulbenkian ao longo de tantos anos na Colóquio/Letras.

domingo, 25 de maio de 2008

GALP : diatribes e boicotes ...

Tenho recebido, ultimamente, quer por e-mail, seja por SMS, múltiplas mensagens no sentido de aderir nos dias 1, 2 e 3 de Junho , ao boicote dos produtos GALP.
Ora, para mim, e muito mais importante que aderir ao boicote acho, outrossim e de enorme utilidade para a nossa “higiene mental” , termos conhecimento dos recém - eleitos Órgãos Sociais da Galp e, porque não (?) cruzarmos estas personalidades com outras personalidades devidamente “estribadas” noutras empresas do PSI20 e não só…
Depois, poderia ser igualmente interessante “descobrir” as listagens dos assessores e consultores das referidas empresas.
E, então, seria muito mais interessante (?) descobrirmos que, por "lá" - quem sabe (?) - temos tanta gente "conhecida" !..

sábado, 24 de maio de 2008

Solidariedade

Na situação actual em que se encontra o nosso País, deveria existir um sentimento generalizado de bom senso e espírito de missão.
Os portugueses ficariam extremamente sensibilizados se os exemplos começassem de cima que, como todos sabemos, é um tema já muito rebuscado e fracassado, sempre que se fala ou até se pensa em semelhante tal.
O aparelho de Estado não prescinde das suas mordomias e tal como um Pai que não oferece bons exemplos a um filho também os nossos actuais e ex-governantes não dão sinais, quanto mais os tais exemplos, de solidariedade e compreensão, por quase tudo o que de muito mau tem acontecido e continua a acontecer.
Eles dizem que se preocupam e compreendem os sacrifícios de quem tem baixos salários e baixas reformas, sem nunca usarem o termo miseráveis, porque isso afecta o intelecto, não é bom para o ego e provoca náuseas. Mas o facto é que eles, os miseráveis, aí estão, todos os dias, cada vez mais.
Não consigo perceber, à semelhança do que se passa nos países nórdicos, porque é que os nossos governantes não se deslocam para os seus locais de trabalho pelos seus próprios meios, de transportes públicos ou nas suas próprias viaturas, tendo depois à sua espera, os respectivos carros oficiais e motoristas.
Não são histórias, muitos de nós já lemos e ouvimos falar destas evidências. Isto acontece porque são diferentes, porque são melhores, porque são todos cidadãos iguais entre si, existindo a diferença sem diferenças. Não é um paradoxo, simplesmente é assim!
Não percebo como os nossos ex-Presidentes da República não prescindem, não digo de todas, mas de algumas das suas mais dispendiosas benesses pelos serviços prestados à Nação, seria uma prova de solidariedade para com os mais desfavorecidos. São exemplos deste tipo que baixam a despesa pública, a carga fiscal e moraliza todos os outros à volta. Enquanto não se verificar este raciocínio, ninguém vai a lado algum e continua tudo mal, porque estão sempre todos à espera que haja um Messias que apareça ou que se adiante. É triste a nossa sina!
Penso que desta vez o Messias só virá quando todos tomarem consciência que temos de ser, «Um por Todos e Todos por Um ».
Ainda há pouco, ouvia na televisão, o Sr. Santana Lopes opinar sobre determinadas medidas para combater a pobreza e lembrei-me que quando ele chegou à presidência da Câmara de Lisboa não se esqueceu de encomendar um automóvel de topo de gama, mas por outro lado, esqueceu-se que o dinheiro para a referida compra também era um contributo dos impostos dos pobres, sim porque, os pobres também já pagaram e pagam impostos e é exactamente por causa destas mentalidades que ainda e cada vez mais pobres, os tais pobres. O antecessor deixou um bom automóvel. Era preciso um topo de gama que custou uma fortuna? Há muitos bons patrões de grandes empresas privadas de sucesso que embora ricos não esbanjam assim tanto dinheiro. O Estado não é rico, o País tem muita gente na miséria e meus Senhores, é preciso que haja respeito por quem anda a pagar impostos. Que eu saiba não votei em nenhum referendo para a compra de um topo de gama. Será que sentiu inveja do Rolls-Royce do Herman José? Mas o Herman é rico e o dinheiro é dele, não é o nosso.
Falsos moralistas que falam, falam, mas não dizem nada, como habitual. Cortinas de fumo!
Obviamente, mudei de canal, exactamente como nos serões de domingo, do canal 1.
Quando quero ouvir falar de pobreza falo com um pobre e sinceramente começo, peço desculpa pelo termo, a ficar chateado com tanta mentira, falsos moralismos de quem e donde vêm e de tanto chico esperto.
De facto o orador é bom mas a anestesia é tão forte que pode até matar. A quantidade de açúcar nos discursos de outros oradores também pode provocar danos irreparáveis.
Enquanto não chegarem os bons e verdadeiros exemplos, enquanto pensarem que o povo anda a dormir e não vê e enquanto pensarem que tudo não passa de fumaça, acautelem-se quando as paredes dos estômagos começarem a ficar coladas, porque aí, já não vão a tempo de lições de fraternidade e solidariedade, aí vamos todos sentir quanto custam os abusos e as incompetências dos convencidos iluminados.
Como os princípios e a educação dos filhos são da competência dos Pais, também toda a máquina que governa o povo, Presidentes, Ministros, Deputados, Todos, são responsáveis e devem executar as suas missões como missionários, porque se assim não for, de outro modo, não fazem falta nenhuma, deem o lugar a gente bem intencionada, que embora pouca, ainda existe.
São bem conhecidas algumas dessas Pessoas.
Deem bons exemplos porque o Povo somos nós todos e o que precisamos desesperadamente de acreditar é que assim, e só assim, será possível acreditar num Portugal melhor e tão bom como os famosos países nórdicos de quem tanta inveja temos.
Os exemplos dados são só alguns porque há quase uma infinidade deles e mais eficientes.
É uma questão de bom senso. Só isso.

Como distribuir o que não existe?

Apanho Teresa Caeiro, a solitária Branca de Neve dos sete anões, perdão, deputados, do CDS/PP (por enquanto ainda são onze, mas em breve a história se encarregará de corrigir esta anomalia), no ‘Frente a frente’ da SIC/N, com Saldanha Sanches. Ainda a propósito da discussão sobre as conclusões do Relatório Sobre a Situação Social na UE, que dão Portugal como o país da Europa mais desigual na repartição do rendimento e na tentativa, canhestra, de explicar o fenómeno, dá-lhe então para filosofar sobre a coisa. Adrega mesmo estabelecer a diferença entre esquerda e direita, reafirmando uma vulgaridade boçal: a direita preocupa-se primeiro em gerar rendimento para depois o distribuir, a esquerda preocupa-se apenas em o distribuir (mais ou menos nestes termos).
Tese que, só por si, basta para fundamentar a óbvia superioridade da direita sobre a esquerda. Até porque, perante tal desafio, resta à esquerda resolver um problema prévio de não pouca monta: distribuir o quê, afinal?
Temo o desperdício ou o desbarato de pensamento tão profundo, se acaso se confirmarem os piores cenários ao partido que já foi do táxi. Alguém até já afirmou que, por este andar, ainda acaba a andar de trotinete.
O interlocutor, o Saldanha Sanches, esse embatucou, fulminado de tamanha desfaçatez. Conseguiu, é certo, recompor-se a seguir – e até sorrir de outras malfeitorias do género ocorridas na mesma sessão – mas, convenhamos, não é tarefa fácil desconstruir – sem se rir – complexidades teóricas de tal jaez.
Haja pachorra!

Critérios ou interesses?

Na TSF ouço as explicações de Bagão Félix – enquanto ex-responsável ministerial em 2004, ao tempo a que se reportam as conclusões do agora divulgado Relatório Sobre a Situação Social na União Europeia (UE), que dão Portugal como o país da Europa mais desigual na repartição do rendimento – sobre se tinha tido percepção dessa realidade. ‘Não, não tinha consciência disso’, afirma, visivelmente comprometido, o ex-ministro, enquanto esboça mais umas justificações para a incómoda batata quente que de repente lhe queima as mãos, tentando fundamentar a rigidez da coisa.
Na SIC/N, o mesmo Bagão Félix, questionado não se sabe bem em que qualidade (presumo que apenas como especialista de elevado gabarito na matéria), sobre as explicações para este ‘fenómeno’ – e não especificamente sobre a sua actuação enquanto ministro também responsável por ele – responde, bastante mais solto (pudera!), que na sua origem estão os negregados problemas da produtividade, adiantando qualquer coisa como ‘enquanto não atingirmos a produtividade média europeia... blábláblá, blábláblá,...’
Critérios jornalísticos ao serviço de que interesses?

Uma no cravo, duas na ferradura

Afinal, ainda venho a tempo de retomar aqui a entrevista de Campos e Cunha ao DN/TSF, a que me referi em posta anterior. Correndo o risco de destoar já das ondas mais em voga (mas o Borges de Sousa encarrega-se disso com toda a proficiência...), só para não ficar a ideia da tarefa a meio. Apenas para saudar uma concordância em termos de cidadania, reiterar um alerta social (da SEDES, a que o entrevistado preside) e verberar uma sua posição (entre muitas, fiquemo-nos por esta) decorrente de uma visão ultra-liberal .

Concordância com a sua posição perante o TGV. Depois de uma das razões (pelo menos das que, na altura, foram explicitadas) para a sua saída de ministro das Finanças ter a ver com a decisão de Sócrates de avançar para a construção de um novo aeroporto em Lisboa (que o ex-ministro criticava, mas que eu saúdo), desta vez até estou de acordo com as críticas feitas ao TGV. É que, mesmo descontando os impactos ambientais (e não são pequenos), para que serve, afinal, uma nova linha Porto-Lisboa? Será que, para ganhar 15 ou 30 minutos sobre a actual, se justifica um investimento destes? Será então para calar os exasperados bairrismos tripeiros?

O alerta da SEDES, exposto em estudo recente, dá conta de um ‘mal-estar difuso que alastra’ na sociedade portuguesa, ameaçando transformar-se em crise social de contornos imprevisíveis. É óbvio que a SEDES se limita a constatar... o óbvio: tanto ao nível da sua dimensão generalizada, quanto a tratar-se de sintoma que indicia a eventual eclosão de crise social grave. A explicação do entrevistado foi, tão só, reduzi-la aos aspectos formais da política (o mal-estar resultaria da ‘desconfiança dos portugueses nos partidos’), tocando ao de leve no sistema de representação (a democracia não se esgota nos partidos). Só? E a desigualdade social crescente? E o desespero como futuro? Recente estudo de Bruxelas classifica Portugal como o país mais desigual da UE na repartição do rendimento. Não terá isto a ver, também, com os elevados salários auferidos pelos gestores portugueses?

A posição ultra-liberal – que classifica de ‘populista’ (e de 'demagogia', acrescentaram os entrevistadores) quem se atreva a considerar elevados os vencimentos dos gestores – não surpreende, por lógica, mas deve ser veementemente verberada. Mais que não seja por decência e algum decoro perante o resto da Europa. Alguns salários que por aí se exibem tão despudoradamente, não são só uma afronta à miséria, eles próprios a sustentam. Não se trata apenas de uma questão relativa: de acordo com o conceito europeu de pobreza (os que atingem apenas 60% do rendimento médio europeu, 22€ diários), Portugal tem mais de 2 milhões de pobres, dos quais 950 mil (quase 10% da população) auferem por dia... menos de 10€!!! Em contrapartida (e como já foi tema doutra posta) os nossos gestores aparecem muito bem situados no ranking europeu!

Ou será que este ‘mal-estar difuso’ tem alguma coisa a ver, sem que disso se tenha ainda a devida consciência, com a prática imposta por esta ideologia liberal apresentada como pensamento único, universal e de consumo obrigatório?

sexta-feira, 23 de maio de 2008

...tá bonito, ...tá !..

Quinze, quinze minutos ... foi quanto "gastou" a noticia de abertura do Telejornal.
Qinze, quinze minutos ... com a Selecção, com o Cristiano Ronaldo, com o Nani, com uma Japonesa que é fã de Paulo Ferreira, etc., etc...
Ora, isto do Europeu, que ainda nem começou, começa bem, lá isso começa ...

Pobreza em Portugal: "É preciso subir os salários e diversificar fontes de rendimento"

“Um Olhar Sobre a Pobreza” é um estudo do CESIS - Centro de Estudos para a Intervenção Social, coordenado pelo Prof. Alfredo Bruto da Costa que aponta os baixos salários como uma das principais causas que contribuem para a pobreza em Portugal.
Para o Prof. Alfredo Bruto da Costa :
“…todos os projectos são desenhados de modo a não mexer no resto da sociedade. Essa é uma limitação decisiva. Se não há mudança social, não pode haver erradicação da pobreza. Se os programas não tocam no resto da sociedade, tentam resolver a pobreza dentro do universo da pobreza, mas não estão a resolver as causas.”
Ora, leia e com muita atenção, a entrevista ao Público do Prof. Bruto da Costa e, depois e perante esta factualidade, aguardemos o que tem para “arengar” o (nosso) Calvinista …

Foram, só, cinquenta e seis ...

Foram, afinal e só, 56 ( cinquenta e seis ) os voos para/de Guantánamo ...
Podemos, contudo, estar tranquilos :
- “foram cumpridos todos os acordos…”
Foi, assim e atabalhoadamente (?), a explicação do Governo, via um Secretário de Estado, que acabo de ver/ouvir na RTP1, e que teve o engenho e a arte (?) de não responder a quaisquer das várias perguntas do Jornalista.

25º Classificados (em 25), não está mal : é péssimo ...

Portugal é, de facto e para os devidos efeitos, o Estado-membro da EU com maior disparidade na repartição dos rendimentos.
Somos o 25º classificados, em 25 paises…
Dito de outra maneira :
- somos ( só ) os últimos da EU e conseguimos ter o engenho e a arte ( os Governos ) de fazer com que, em Portugal, os pobres continuassem cada vez mais pobres …
E, agora e perante esta factualidade, o que tem para “arengar” o (nosso) Calvinista ?

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Abaixo-assinado (Regime Cálculo das Pensões)

Sou, também, dos que acham que a solidariedade deve praticar-se...
Via MUDAR ( http://www.mudarbancarios.org/ ), recebi um abaixo-assinado referente ao Regime do Cálculo das Pensões que, em tempo, este Governo fez o favor de alterar.
Caso esteja de acordo, não hesite em subscrevê-lo e, também, em divulgá-lo:

quarta-feira, 21 de maio de 2008

... tou esclarecido

João Proença, é Secretário Geral da UGT.
Carlos Trindade, é membro da tendência sindical socialista da CGTP-Intersindical
São, ambos, do PS e membros da Comissão Politica Nacional do PS e, ambos, participaram, ontem, na Reunião da Comissão Politica do PS onde, naturalmente, o tema em destaque foi a Revisão do Código Laboral.
Ora, durante a reunião :
- um, falou ( Carlos Trindade );
- o outro, ficou calado ( João Proença )
Revisão laboralCarlos Trindade e João Proença, dois sindicalistas com comportamentos diferentes
…tou, assim e para os devidos efeitos, devidamente esclarecido !..

Até quando ?..

Este PS é, sintomaticamente, surpreendente :
- em finais de 2007:
«O Partido Socialista vai apresentar um novo pacote para levantamento do sigilo bancário, já em Janeiro próximo, após a entrada em vigor do Orçamento do Estado para 2008»
- em Maio de 2008:
«Até agora, a lei prevê que nos casos de pedidos de abertura de contas bancárias ao fisco, o contribuinte possa recorrer aos tribunais. Nesta matéria, por lei, o juiz tem de decidir pela abertura de contas bancárias no prazo de 90 dias, uma imposição que satisfazia a máquina fiscal. Mas com a revisão da LGT [Lei Geral Tributária]], desaparece o prazo de 90 dias e, em substituição o prazo de decisão do juiz pode estender-se até dois anos, podendo os contribuintes recorrerem em caso de decisão desfavorável - o que actualmente não é possível - de acordo com o projecto governamental que está em curso». ( via : Ladrões de Bicicletas/DN)
É, assim, este PS :
- cada vez mais forte com os fracos e, claro, fraco com os fortes.
Até quando ?

terça-feira, 20 de maio de 2008

Bom, eu é que devo andar muito distraído ...

«Ninguém goza de impunidade em Portugal, seja no futebol, na banca ou nas autarquias. O Procurador-Geral da República advertiu hoje que ninguém goza de impunidade, discordou que haja uma Justiça para ricos e outra para pobres e admitiu que são crimes como os da noite do Porto que geram insegurança nos cidadãos.»
Eu só não sei, mesmo, é se o Senhor Procurador-Geral da República se referia mesmo, mesmo, mesmo, mesmo, mesmo ao (meu) País ...

Perguntar, ofende ?..

No "Prós e Contras" assisto, às tantas, e com aquele seu ar “cândido”, Fátima Campos Ferreira perguntar a um empresário que, mui recentemente, integrou a comitiva governamental que se deslocou à Venezuela :
- mas, qual é a fiabilidade do Estado da Venezuela enquanto pessoa de bem ?
Ora, eu e com a mesma candura, pergunto-me :
- mas, afinal e enquanto jornalista, qual é a fiabilidade de Fátima Campos Ferreira ?

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Dia da Libertação dos Impostos ... para os Portugueses

É, hoje, 19 de Maio :
- o Dia da Libertação dos Impostos ( … para os Portugueses) dado que, e segundo um estudo da Universidade Nova de Lisboa em colaboração com a AIP, (de)correram 139 dias de trabalho necessários para o pagamento de todas as (nossas )obrigações fiscais; ou seja :
- 37 por cento do (nosso) tempo de trabalho serve para pagar impostos.
Mas, e com base no estudo, os contribuintes portugueses terão, este ano, de dar/emprestar mais um dia de salário do que em 2007, para liquidar os seus impostos.
Mas, e aqui para nós, assalta-me, desde já, uma dúvida :
- será, isso e mesmo, verdade ?...
Isto é : pagam impostos todos os Portugueses ?..

O imprevisível destino das ‘boas notícias’ de Sócrates

Começa a parecer patética e ameaça ser contraproducente a obsessão do 1ª Ministro em demonstrar optimismo mesmo em situações onde o bom senso mais aconselharia menor exposição mediática. Dir-se-á: é o seu papel, compete-lhe incutir ânimo mesmo perante as maiores desgraças, lutar contra o derrotismo, procurar dar a volta por todos os meios. Só que o sentimento das pessoas já deixou de ser apenas de desânimo para se aproximar mais do cansaço, porventura até da revolta, o que é muito mais difícil de controlar, até pelo descrédito a que conduz um discurso que aparenta afastar-se da realidade vivida.

Depois da prosápia com que aquele porta-voz do PS nos brindou ao afirmar ser apenas importante destacar os aspectos positivos do Governo, quando até se esperaria, em data de aniversário, um sério balanço da sua governação (com aspectos positivos, é possível, mas também com os que importaria corrigir para o futuro), nada nos pode surpreender. Talvez este seja mesmo o paradigma de um Governo que teima em apenas apresentar ‘boas notícias’. O episódio mais recente é o da ‘boa notícia’ da queda da taxa de desemprego, quando já é possível antecipar que, perante a revisão em baixa do PIB para 2008 (uma ‘menos boa notícia’, chamemos-lhe então assim), na realidade essa ‘notícia’ já deixou de ser ‘boa’, beneficiando apenas do efeito do desfasamento estatístico, obrigando, porventura, o 1º Ministro a, dentro em breve, ‘corrigir o tiro’.

Ora, foi mesmo esta a expressão utilizada por Campos e Cunha, aquele meteórico ministro das Finanças de Sócrates – mais conhecido pelo extraordinário feito de ter abichado choruda pensão em troca de breve passagem por organismo público (estes liberais não se perdem!), que por qualquer outro feito político digno de, uma que fosse, breve nota de rodapé – que continua a debitar sentenças inócuas, afiveladas por trás de um irritante ar de emproado sapiência.
Perante a referida revisão em baixa do PIB previsto e interrogado a propósito, é justo que se diga (o homem caiu no goto dos pressurosos jornalistas, vá lá saber-se porquê), afirmou então que ‘o Governo corrigiu o tiro. Esperemos que não seja demasiado tarde’. Demasiado tarde para quê? Gostava de perceber o certamente profundo alcance deste tão premonitório quanto avisado recado.
Acabaram-se as ‘boas notícias’? Sócrates que se cuide, então.

Nota: já depois de escrito este comentário, Campos e Cunha deu uma entrevista conjunta ao DN e TSF, que ainda não li e a que não tenho a certeza de poder voltar, por razões de ordem pessoal.

A subida dos combustíveis

Onde se fala de ambiente e de política fiscal

A polémica instalada em torno dos escandalosos preços dos combustíveis tem várias vertentes e algumas ainda pouco exploradas. A generalidade dos comentadores e a opinião pública têm centrado a sua atenção em torno sobretudo de uma eventual cartelização dos preços (que é proibido) ou nas margens arrecadadas pelas petrolíferas (que é escandaloso, mas permitido). O debate continua crispado e sem fim à vista: os preços vão continuar a subir (com cartelização ou não), as margens das petrolíferas (e dos especuladores, já agora) vão continuar a engordar, o sistema prospera à custa do esmifranço e da miséria de muitos. Nada de novo, portanto.

Mas, tal como na discussão a propósito da crise alimentar, também aqui é possível vislumbrar um aspecto positivo neste problema e que merecia ser melhor aproveitado por parte dos políticos mais conscientes e empenhados na questão das ‘alterações climáticas’. É que os elevados preços dos combustíveis têm pelo menos o mérito de contribuir para travar o seu desenfreado consumo e de forçarem o uso mais intenso das energias alternativas, com óbvios benefícios ambientais. Subsiste, é certo, o problema imediato do seu efeito sobre a actividade produtiva, demasiado dependente do petróleo para, de um dia para o outro, se poderem esperar resultados de um eventual processo de adaptação estrutural a novas fontes energéticas.

Assim, melhor aposta que a contestação generalizada da subida dos preços, seria então pressionar o Governo no sentido da diferenciação fiscal, em benefício de determinadas actividades, por contrapartida da igualização das taxas dos combustíveis, já que actualmente o imposto sobre o gasóleo é muito mais baixo que o da gasolina, presumo que por se tratar do combustível mais utilizado na actividade produtiva (?). Contudo, alguém me sabe explicar porque razão os ‘topo de gama’ particulares abastecidos com gasóleo pagam menos imposto que um qualquer utilitário movido a gasolina?

Há muitas formas do Estado, querendo-o, poder diferenciar o preço dos combustíveis entre o consumo particular e o consumo produtivo, o que não é justo é que, para não agravar as actividades produtivas, recorra à distorção fiscal, beneficiando uma parte em prejuízo da outra. Em Espanha e muitos outros países o gasóleo ultrapassou já o preço da gasolina e não consta que lá os apertos produtivos sejam superiores aos de cá. Além do mais, dizem que isso acontece por imperativos de mercado(!) e cá, onde todos enchem a boca na sua defesa, até agora só vi zurzir (e bem, note-se, mas não basta) na eventual cartelização e no fartote de lucros das petrolíferas.

domingo, 18 de maio de 2008

Os arrependidos ...

“... porque será que os partidos do assim chamado «arco da governação» estão cheios de arrependidos dos outros partidos e não se vêem pentiti nem convertidos no PCP, no BE ou mesmo no CDS, que a espaços ainda apanha algumas migalhas de poder deixadas cair pelo PSD ou pelo PS ?
O PSD pode esfrangalhar-se ideologicamente até à anomia, o PS pode, sucessivamente, meter o socialismo, e depois a social-democracia na gaveta, que ninguém larga o barco; …/…e hoje, em tempos de maioria absoluta, até já se disside do PSD para o PS.
Mas, que hei-de eu fazer ?, a vida tornou-me cínico e suspeito dos arrependimentos que dão lucro. Na Terra como no Céu.”
( Manuel António Pina, in Noticias Magazine )

sábado, 17 de maio de 2008

Qual o prisma para ‘Olhar o mundo’?

Gesto quase mecânico, ligo o televisor, caio no meio do programa ‘Olhar o mundo’. Para quem não o saiba, trata-se de um programa que aborda temas internacionais, da actualidade semanal, socorrendo-se normalmente do apoio de um analista que é apresentado e se pretende especialista na área em análise. Coordenado e dirigido pela jornalista da RTP Márcia Rodrigues, exemplo acabado do mais enfeudado e rastejante seguidismo ao pensamento único liberal, a garantia de objectividade e isenção no tratamento dos temas, sejam eles quais forem, encontra-se desde logo seriamente comprometida. Sob a capa de uma aparente objectividade que a profusa quantidade de informação utilizada pretende tornar consistente e credível, os dados são trabalhados por forma a ilustrar as teses doutrinárias dos promotores do programa.

Por inconsciente incompetência, porventura (?) arrebatado proselitismo ou até ausência de escrúpulos (na aceitação da tarefa), o certo é que esta senhora, e o ‘seu’ programa, se prestam ao desempenho de uma tarefa que evidencia propósitos bem definidos – alicerçar na opinião pública a ideia de que esta globalização não tem alternativa – a partir de alvos criteriosamente seleccionados e devidamente trabalhados todas as semanas: construção europeia, terrorismo, esquerda,...
Desta feita o tema versava o ascenso das esquerdas na América Latina. A partir, uma vez mais, dessa perigosa ameaça esquerdista que é o Hugo Chavez e da sua presumida pretensão hegemónica de a liderar. Para coadjuvar a coordenadora nos comentários a propósito, e tendo como peça jornalística excertos de uma entrevista concedida por Chavez a Mário Soares (desconheço se já divulgada na íntegra), nada melhor, pois, que um especialista na matéria. Quem? Jaime Nogueira Pinto, nem mais, o assumido salazarento defensor de Salazar naquele bafiento e originalíssimo programa das celebridades nacionais.

Não admira, pois, que os epítetos mais utilizados fossem os ‘propósitos hegemónicos’ (de Chavez, claro), populismo, demagogia,... Exemplo acabado, apesar do matiz nacionalista do convidado, do discurso com que o tal pensamento único liberal pretende descredibilizar esta tentativa (apenas mais uma?) de tornar as decisões sobre esta parte do Globo um pouco menos dependentes dos interesses dos seus poderosos vizinhos do Norte. Com excessos, contradições e também algumas ingenuidades.

Os malabarismos da alguns critérios de gestão e equidade ...

Aguardo, sinceramente e com enorme curiosidade, as explicações que o Governador do Banco de Portugal, certamente emprestará aos fundamentos para a promoção de um Quadro do Banco que, estando há oito anos a esta parte de “licença sem vencimento” - dado que, e em tempo, entendeu tratar, por outras bandas, da sua (dele) “vidinha profissional” – foi, agora, promovido ( imagine-se !.. ) por mérito ( Ler mais... )
( Via Esquerda.net )

sexta-feira, 16 de maio de 2008

O (novo) Acordo Ortográfico

O Parlamento aprovou, hoje, com os votos favoráveis do PS, PSD, Bloco de Esquerda e sete deputados do CDS, o "Segundo Protocolo do Acordo Ortográfico".
Eu, e enquanto não compro o Novo Dicionário da Porto Editora, com o "antes" e o "depois" do Acordo, vou consultando :
http://ciberduvidas.sapo.pt/index.php
Entretanto, com a devida vénia e "retirado" do Esquerda, um interessante artigo/testemunho do Luis Leiria :
"philosophia dos que atacam o acordo ortográfico deixa-me exhausto"

Ainda as leituras de fim-de-semana

A mesma Notícias Magazine que me proporcionou a leitura do artigo de Fernando Nobre sobre a crise alimentar (já comentado neste blog), tem ainda outros excelentes momentos de leitura.

Desde logo uma breve mas muito interessante entrevista a José Barata Moura, o músico, o professor, o filósofo, o político,... Quase que me atreveria a classificá-la, utilizando o refrão de um conhecido jornalista televisivo, de “simplesmente a não perder”. Por onde perpassam as ideias claras e bem estruturadas de um pensamento sólido: sobre o 25 de Abril, hoje; a democracia como processo sempre inacabado; o marxismo como filosofia do real e da história (com a devida separação da utopia),...

Depois, uma reportagem, permitam-me o destaque, sobre os treinadores de três dos cinco atletas que mais esperanças acalentam para, no próximo Verão, trazerem de Pequim, medalhas olímpicas (todos potenciais ‘ouro’): Vanessa Fernandes, Telma Monteiro e Nelson Évora. Ponto em comum (meu, não da revista)? O serem, claro, todos atletas do Benfica. São-no por mero objectivo propagandístico? Talvez, até o concedo (embora não tenha essa certeza). Mas, do que não tenho dúvidas é que, nesta área, o clube apresenta resultados de um trabalho planeado, bem orientado, com objectivos definidos. Como importa que seja o trabalho em qualquer área de actividade, de resto.
Pena é que o mesmo não possa dizer-se nas ainda mais sensíveis áreas do futebol, basquetebol e até hóquei em patins (salva-se, a espaços, o futsal,...), modalidades que, para o bem e para o mal, estão mais entranhadas nos espíritos dos adeptos. Sofredores, até quando?

Outra vez as vítimas da fome

( Via Arrastão e Esquerda, e com a devida vénia, um interressnte artigo de José Manuel Pureza )
Pois, os chineses e os indianos mudaram a sua dieta alimentar.
Mas isso não é uma boa notícia?
E depois há as colheitas catastróficas, resultado das alterações climáticas.
E isto é dito como se as ditas alterações do clima fossem culpa do clima, ele próprio. Não, que hoje regressem as sublevações da fome no Egipto, no México, na Índia, em Moçambique ou no Haiti não é obra do divino espírito santo; que mais de 30 países estejam à beira do colapso alimentar não é um “desastre natural”.
E muito menos uma realidade inexplicável. Ler Mais...

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Mais uma vez a fome e a crise alimentar

Não resisto a comentar aqui o artigo, excelente de resto, que, a propósito da crise alimentar, Fernando Nobre (FN) publicou na 'Notícias Magazine' de domingo passado, sob o título ‘Tsunami silencioso’, até porque ele permite evidenciar de forma clara as limitações e as armadilhas em que se coloca o discurso de uma certa esquerda, pese embora tratar-se, reconheça-se, da mais comprometida e empenhada. Se se fala de ‘tsunami’, convém mesmo ir ao epicentro do fenómeno e, de forma realista e desapaixonada, tentar identificar a origem das suas manifestações mais cruéis.

Como pano de fundo ou causas endémicas para a persistência da fome no mundo, FN aponta a ‘incompetência, a indiferença e a ganância instaladas na governação global’, o que, sendo verdade, é muito limitado como explicação para esta situação e sobretudo perigoso, pois desvia as atenções da verdadeira origem política do problema, reduzindo as responsabilidades ao plano ético. É certo que FN, a seguir, aponta como causas próximas para a actual fome global ‘a desenfreada especulação sobre os alimentos’, em resultado da furiosa desregulamentação a que aqueles se entregaram. Ainda assim, continua-se centrado apenas nas razões imediatas e mais visíveis. Afinal, o que importa saber e perceber mesmo é a causa ou origem da desregulamentação e da especulação dos alimentos ou de quaisquer outros produtos e serviços.

Ora, na enumeração das ‘medidas estruturantes globais para acabar com a verdadeira escravidão biológica que é a fome’, FN aponta: (1) impedir a especulação financeira sobre os alimentos, (2) proibir a produção de biodiesel com alimentos, (3) adoptar medidas que evitem o agravamento das alterações climáticas, (4) aumentar as áreas de cultivo. E de novo, sendo tudo isto tão sensato, qual a razão porque duvidamos da sua exequibilidade? Porque não estamos seguros de vir a alcançar resultados essenciais neste domínio – controlar a especulação, evitar a produção do biodiesel agro-alimentar,... – por forma a alterar-se radicalmente a vergonhosa situação actual da fome no mundo?

E a resposta, mesmo no campo da ética, só pode ser a de que, tal só será possível num quadro político global diferente, que isso implica capacidade para intervir nos mecanismos que produzem a desregulamentação, a especulação, em suma, a fome.
Mas isso seria já o início de uma outra conversa. Ou de muitas outras conversas.

Hoje : Vigília contra o actual projecto da CRIL


O destino também está na nossa mão
VIGÍLIA EM BELÉM
Pelos nossos Direitos e respeito pela Lei
5ª Feira, 15 de Maio, a partir das 19:30h
vamos fazer uma vigília em Belém,em frente à residência oficial de Sua Exa. o Sr. Presidente da República.Exigimos uma CRIL segura, amiga do Ambiente e que respeite as Populações.
PARTICIPE, TRAGA UMA VELA E UM AMIGO

Mais uma revisão (em baixa) do crescimento da (nossa) economia


O ministro das finanças, Teixeira dos Santos, face A estimativa rápida do INE informa o País que o governo revê, mais uma vez e em baixa, o crescimento da (nossa) economia.
É que, segundo o INE, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu, em volume e no 1º trimestre deste ano e face ao periodo homólogo, 0,9% o que representa uma desaceleração de 50% relativamente ao trimestre anterior (1,8%).
Mais uma excelente performance, portanto e sem dúvida, do governo de Sócrates ... considerando que somos, só, o pior dos piores paises da zona euro.


quarta-feira, 14 de maio de 2008

Mercado severo, mercado generoso

Questionado sobre o ‘novo’ aumento das gasolinas (o ‘enésimo’ quinto ou sétimo, só este ano), o Presidente da Galp respondeu não ter qualquer responsabilidade nesta subida, como aliás nas anteriores, uma vez que isso depende apenas do mercado. E, contra o mercado, nada se pode fazer. A não ser apenas... “esperar que o mercado seja menos severo para quem paga”!

O mercado surge, assim e antes de mais, como realidade abstracta, entidade divina, ‘deus ex machina’ invisível mas omnipresente, que não pode ser afrontado sob pena das piores catástrofes e desventuras. Que tudo explica, que tudo justifica, a que tudo se subordina e cujo poder ora cega, ora confunde.
Confunde, sobretudo, na hora de fazer a distribuição dos rendimentos: para a Galp (e quejandas), milhões, para os seus empregados (e todos os outros), tostões. Discutidos ao cêntimo, sob a tutela (ou cutelo?) do invisível mas omnipresente mercado! E cuja severidade tudo esmaga.
Mas o mercado surge particularmente generosonada severo, portanto – para com as petrolíferas que, lá está, sabem aproveitar ‘cientificamente’... as leis do mercado. É por isso que os respectivos lucros nunca cresceram tanto como agora, o aperto severo dos consumidores faz, afinal, a sua fortuna.

Severo para quem paga, generoso para quem cobra...Valham-nos, ao menos, os Camilos Lourenços das televisões deste nosso mundo (mais deles que nosso, é certo), para nos elucidarem, imbuídos de um acrisolado espírito de missão, revestidos de infinita paciência e dispondo de todas as horas necessárias (e de tantas eles dispõem!), a razão de ser desta disparidade. E a razão está, pois claro, no ‘normal’ funcionamento do mercado, emanação 'natural' para estas decisões ‘cegas’ a que inevitavelmente temos de nos sujeitar, dizem, obrigando-nos a pensar que, afinal, não passamos de meros peões sem autonomia nem capacidade para alterar as regras do jogo a que este modelo amarrou as nossas vidas.
De facto, o grande aliado e sustentáculo deste poder (económico) que nos domina é mesmo o poder mediático. Até Almeida Santos o disse – e eu concordo.

Noticia verdadeiramente importante ...

PS - e, por acaso, vai pagar a respectiva multa ?

Hoje, é o Dia Internacional do Clima

terça-feira, 13 de maio de 2008

E, já lá vamos no 15ª aumento ...

( Com a devida vénia, via : http://www.futureatrisk.blogspot.com/ )

O preço do petróleo tem batido recordes sucessivos. A semana passada ultrapassou os 126 dólares. Os protestos já começam a sentir-se, surgindo acusações de aproveitamento por parte das petrolíferas, no sentido de terem efectuado aumentos que não são razoáveis traduzindo o preço do petróleo em euros. Neste Quadro pode ver-se a evolução dos preços nos últimos anos, em dólares e em euros.Fontes: para o preço do petróleo (EIA/EUA) ver aqui.Para as cotações do dólar americano versus euro ver aqui e aqui.

Importa-se de repetir ?..

Paulo Teixeira Pinto (PTP) questionado, hoje e na Assembleia da República, pela Comissão Parlamentar, no âmbito do inquérito Millenniumbcp, respondeu que desconhecia, em absoluto, quaisquer perdões de dívidas e contas em off-shores .
PTP que, agora, é Administrador da Guimarães Editores, Presidente do Conselho Fiscal da Causa Real, membro do Conselho Privado de Duarte Pio de Bragança e, ainda e ao que parece, poeta e pintor - com direito e primazia a “tempo(s) de antena” nas TV´s – das duas uma :
- ou é ingénuo ou, então, deve(rá) ter sofrido de amnésia.
Resta, ainda, uma outra e remota possibilidade : ser mentiroso !..

Fuma quem pode, cala-se quem deve

Com a devida vénia, via "Arrastão" :
O primeiro-ministro, José Sócrates, o ministro da Economia e Inovação, Manuel Pinho, e vários membros do gabinete do chefe do Governo violaram a proibição de fumar no voo fretado da TAP que ligou Portugal e Venezuela e que chegou às cinco horas da manhã de ontem a Caracas. O supervisor do voo, a segunda autoridade a bordo logo após o comandante, disse não ter dúvidas de que era proibido fumar a bordo e, embaraçado, falou em “situações de excepção”. Um assessor do primeiro-ministro disse que “é costume” e que as pessoas “não se importaram”.
Claro que as pessoas não se importaram. O respeitinho pelo poder é muito bonito. E as ferozes leis anti-tabaco são para todos, menos para quem as aprova.
PS - Até quando, mesmo, vamos tolerar isso ?..

Os curriculum ...

Já, e por mais de uma vez, vi e ouvi o primeiro-ministro , nos debates na Assembleia da República, responder à bancada parlamentar do BE, e em particular a Francisco Louçã, com a seguinte “receita argumentativa“ :
" Você não tem idade nem curriculum ..."
Curioso, fui ver se “isso” era, mesmo, verdade; eis, então, o resultado da minha pesquisa:
A ) Qual o curriculum de Sócrates?
B ) Qual o curriculum de Louçã?
Então, já leu ? E, por acaso, ainda têm dúvidas ?
Pois, por mim e quanto a curriculum, estamos conversados dado que, e como sói dizer-se : “pela boca morre o peixe...”
PS : entretanto, e muito mais oficial, eis outra Fonte

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Cavaco, os Jovens e a Política ...

( Foto retirada do "sítio" da Página Oficial da Presidência da República )
Enquanto, no Palácio de Belém, os Jovens – os que, formalmente, foram convidados por Sua Excelência o Presidente da República – debatiam o tema da participação cívica e politica e as razões que os motivam ou afastam de um maior envolvimento, os Jovens do Bloco de Esquerda – que não foram formalmente convidados por Cavaco Silva – apresentavam, em conferência de imprensa, propostas para aumentar a participação dos jovens na política.
Ler mais...
PS - Ler estudo da U.C.

O realismo político segundo Almeida Santos

A matriz do socialismo gastou-se, diz. E a da democracia?

Em entrevista ao DN de domingo, 11 de Maio, Almeida Santos (AS) entende que nem o PC nem o BE têm condições para, algum dia, se constituírem como alternância (ou alternativa?) ao PS. Porquê? Porque, para além do mais (que não disse), “são partidos antieuropeus. Eu não vejo que dois partidos que não são favoráveis à Europa possam ter o apoio maioritário do povo português”.
Curiosa concepção da Europa esta, sobretudo vinda de um socialista. É certo que, noutro passo da mesma entrevista, AS afirma que o PS, hoje, em Portugal, não tem condições para ser fiel à sua matriz. “A matriz gastou-se. O 25 de Abril foi há 34 anos”!

Assim já não surpreende que nem lhe tenha passado pela cabeça questionar-se (nem, tão pouco, tenha sido questionado) de que Europa estamos a falar. O pragmatismo que tomou conta da política impõe que, sem restrições nem discussão, se aceite a UE na formulação técnica que se designa por ‘Pacto de Estabilidade e Crescimento’. Que significa essencialmente a completa subordinação política e social ao modelo económico assente no mercado livre, em nome de um condicionamento chamado globalização.

Surpreendente é que logo a seguir AS constate que as liberdades permitidas ou exigidas por este modelo – das simples trocas comerciais à especulação financeira e às deslocalizações – “são uma fábrica de pobres e desempregados. Porquê? Porque não há regras para controlar e organizar a economia mundial”. E este funcionamento sem regras do modelo económico só é possível, acrescenta, porque “não há poder político mundial”. Aliás, para AS o poder político apenas vem em terceiro lugar (!) na escala real dos poderes sociais, a seguir ao económico e ao mediático (!!!), os dois aliados objectivos na dominação social.

O que mais espanta, pois, nesta entrevista, não é a afirmação de que a matriz socialista está gasta. O que realmente espanta é, tão só, reconhecer (ainda que sem o afirmar) e, pior, aceitar como inevitável que, gasta está, também, a própria matriz democrática – que, como se sabe e é unanimemente aceite, estabelece a subordinação do económico ao político, não o contrário.

O realismo na política costuma ser assassino: de pessoas, de princípios, até de carácter. É (também) por isso que os políticos, hoje, têm a sua reputação descredibilizada e a política se encontra às portas da morte!

Cavaco Silva marginaliza Jovens do BE

O Presidente da República, Cavaco Silva, recebe hoje no Palácio Belém as organizações de juventude de PS, PSD, CDS-PP e PCP, para debater a participação dos jovens na política.
Cavaco Silva receberá também diversas associações de juventude, académicas, sindicais e empresariais.
Só o BE não foi convidado, porque segundo Fernando Lima, assessor do Presidente, "era preciso estabelecer critérios de selecção" e o critério foi a existência ou não de "uma estrutura autónoma" para a juventude.
O Bloco de Esquerda considera que esta é simplesmente uma forma de exclusão política.
Ler mais...
Sobre este assunto, ouça a opinião do jornalista Fernando Alves na TSF.
(PS - o BE dará nesta Segunda feira uma conferência de imprensa para apresentar medidas favoráveis à promoção da participação política da juventude. )
( via : Esquerda )

domingo, 11 de maio de 2008

Obrigado Rui Costa ...

Hoje, vou à Catedral, ao Estádio da Luz, para assistir ao derradeiro desafio, enquanto Jogador de Futebol, de Rui Costa.
Fui, sempre, um admirador confesso de Rui Costa e, assim, é com pena, com muita pena que o verei "partir" dos relvados ... e, claro do ( meu) Benfica.
Mas, tudo na(s) nossa(s) Vida(s) tem um Tempo e, hoje, será o dia, o dia do adeus e de Rui Costa "pendurar as botas''.
Assim, e em jeito de homenagem ao Grande Jogador que foi Rui Costa, tomo a liberdade de citar FATIH TERIM, seu ex-treinador e actual Seleccionador da Turquia :
"Seria injusto considerar Rui Costa só como um futebolista. Ele foi uma das principais estrelas com quem trabalhei. É um verdadeiro talento, líder e quase um treinador adjunto cuja ausência dificilmente será colmatada. Obrigado pelas suas qualidades, ajudou-me, e muito, na Fiorentina e deu grandes contribuições para os êxitos do Clube. Deve continuar como dirigente ou treinador usando a sua admirável sabedoria. Não tenho dúvidas de que terá sucesso. O meu respeito, amizade e apoio para com ele, moral e profissionalmente, será eterno "
Eu, que considero, e de longe, Rui Costa o mais elegante, o mais inteligente "intérprete" ( na/da arte de jogar Futebol ) da sua geração, não poderei, naturalmente, estar mais de acordo com a declaração de Fatih Terim.
Assim, também eu, desejo agradecer ao Rui Costa pelo talento com que fez o favor de nos brindar e, naturalmente, desejar-lhe as maiores felicidades no desempenho das ( suas ) novas funções que, a partir de amanhã, desempenha(rá) no (nosso) BENFICA.

sábado, 10 de maio de 2008

Os números da corrupção …

''O grosso do que é desvendado pela Justiça é apenas a pequena corruptela, o sistema não chega à grande corrupção''.
( Luís de Sousa - Observatório de Ética na Vida Pública )
Criado em 2004, junto do ISCTE, o “Observatório de Ética na Vida Pública”, a única instituição dedicada ao estudo do fenómeno da corrupção em Portugal, está – por mais incrível que isso (nos) possa parecer - em fase de extinção.
Segundo o politólogo Luís de Sousa, especializado na área da corrupção e fundador do Observatório este, apesar de vários estudos já publicados e de parcerias internacionais, pode fechar (as) portas por manifesta falta de apoios, tentados junto da Assembleia da Republica - aquando da discussão do polémico pacote anti-corrupção do ex-deputado João Cravinho, do PS, e que este partido inviabilizou - e que resultaram infrutíferos.
Na apresentação de um recente relatório/estudo sobre a Corrupção Participada em Portugal, nos anos de 2002 e 2003, ficamos a saber, e segundo Luis de Sousa, que : 'O grosso do que é desvendado pela Justiça é apenas a pequena corruptela, o sistema não chega à grande corrupção'.
Ora leia mais, e com muita atenção :
Alta corrupção sem castigo:
Corrupção e Políticas de Controlo: Observatório de Ética na Vida ...

Hoje, é Dia Mundial das Aves Migratórias

Nos dias 10 e 11 de Maio celebra-se o Dia Mundial das Aves Migratórias, sob o lema de "Aves Migratórias - Embaixadoras da Biodiversidade " , o qual será marcado com várias iniciativas públicas para alertar para a ameaça crescente sobre as aves migratórias e a biodiversidade.
As aves são consideradas um dos melhores indicadores do estado e tendência da biodiversidade geral uma vez que elas estabelecem ligações e vivem virtualmente em todos os ecossistemas do mundo. Ler mais...
( via : Ecoblogue )

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Os nossos ‘queridos’ gestores (2)

ou como nem sempre o que é nacional é bom
A indecorosa exibição dos estatutos remuneratórios de um conjunto significativo dos gestores portugueses – tanto os ‘chorudos’ como os ‘chorados’ (ou manhosos) – confronta-se com o pano de fundo, é bom tê-lo presente, dos resultados persistentemente desastrosos evidenciados pela fraca (ou reles?) qualidade da gestão em Portugal, cujos resultados se reflectem desde logo na própria baixa produtividade do trabalho. Que, como se sabe, depende muito mais dos modelos e processos organizativos implantados nas empresas (portanto, da responsabilidade da gestão), do que do esforço e contributo dos trabalhadores, a maioria das vezes sem qualquer autonomia sobre a função que exercem (e com provas dadas, é bom recordá-lo, quando enquadrados por outros modelos de gestão, nomeadamente enquanto emigrantes).
Sem surpresas, portanto, aquele estudo que evidenciava, há já uns tempos atrás, serem os gestores portugueses os piores da Europa!

Até a famosa ‘lei’ da oferta e da procura para justificar remunerações tão excessivas aqui nada adianta (se é que adianta nalgum outro sítio, mas isso é outra história), pois é sabido como é que elas são fixadas: pelos próprios.
Nem é de admirar a fotografia tirada por entidades externas de que a cultura dos gestores portugueses é, reconhecidamente, autocrática, formal e individualista (não sabem trabalhar em equipa), cada grupo empenhado apenas no seu interesse particular e de curto prazo, falha de estratégia e de planeamento, portanto. A grande questão que se colocam perante qualquer novo desafio é: o que é que eu vou ganhar com isto?
Valorizado, mesmo, nesta avaliação sobre os gestores portugueses, só a capacidade de desenrasca (“criativo quando as coisas correm mal”) e de gingão (“notável à vontade nos relacionamentos interpessoais”).
É nosso fado aturar isto?

Os nossos ‘queridos’ gestores (1)

Não menos significativo da desagregação social de que é reflexo o ‘corporativismo póstumo’ aflorado noutro local deste ‘blog’, mas a outro nível, encontra-se a polémica em torno dos escandalosos vencimentos que os gestores portugueses exibem.
Até aqui somos excessivos: a dimensão do escândalo revela-se não só nos astronómicos valores auferidos por uns, como na esperteza manhosa de muitos outros, área em que, como se sabe, somos especialmente competitivos e batemos qualquer concorrência externa. Atente-se, pois:
– Por um lado, nos dados conhecidos sobre o ofensivo estatuto remuneratório de alguns dos designados ‘Gestores de topo’, que fazem deles os mais bem pagos da Europa (!!!!!), a par dos do Reino Unido;
– Por outro, Portugal apresenta-se como o país da UE onde a diferença salarial entre o topo e a base é maior: a relação média é de 32 (a média, não a estabelecida pelos tais ‘Gestores de topo’, essa chega a ultrapassar os 200!!!), enquanto na Alemanha se fica pelos 10 e mesmo a Espanha não vai além de 15 (!);
– E, por último, na informação fiscal de que 6000 gestores de topo declaram auferir o equivalente à remuneração mínima nacional (!!!), subtraindo-se assim ao esforço comum de redução do déficit, a que são tão sensíveis (apenas no paleio, está bem de ver).
Entretanto, a esmagadora maioria do povo pagante assiste, estupefacta mas meio anestesiada, ao espalhafato do regabofe.
Até quando?

Hoje, 9 de Maio : Dia da Europa (...e o fim da Europa dos Cidadãos)

O Presidente da República escolheu o dia de hoje - Dia da Europa - para promulgar o Tratado de Lisboa (link).
Com este gesto, Cavaco Silva associa-se, formalmente, à ausência de plebiscito ao Tratado de Lisboa colocando, assim, um ponto final na ideia original de uma Europa dos Cidadãos.
Agora sabe-se, e de antemão, que a (re)construção da União Europeia passa(rá) a ser tarefa exclusiva dos poderes, a/em cada momento, instituidos.
Regista-se, assim, a coincidência (?) ... para memória futura !..

Apito, quê ?..

Liga condenou Boavista, F.C.Porto e União de Leiria e cinco árbitros foram suspensos
Ora, leia aqui tudo sobre :
No entanto, uma dúvida me assola :
- tanto, tanto tempo e hoje, só hoje, e em véspera da última Jornada, é que a Liga se digna divulgar estes "resultados" ...
Ora, porque será ?..

Censura(do) ...

Ontém, no Parlamento, José Socrates afirmou ( eu, vi e ouvi ) :
"há motivos de sobra para censurar o Governo..."

Motins da fome

Por forma a que não nos possamos distrair, eis um interessante artigo de Ignacio Ramonet, do " Le Monde Diplomatique", que merece ser lido, por todos e cada um de nós, com a máxima atenção ...

Já são mais de 37 os países em que a insegurança alimentar provocou protestos. Os primeiros tiveram lugar no México o ano passado pelo aumento exagerado do preço do milho. Também em Myanmar (antiga Birmânia) a insurrecção dos monges, em setembro de 2007, começou por manifestações de descontentamento contra a carestia dos alimentos. Nas últimas semanas temos assistido a tumultos em diversas cidades do Egipto, Marrocos, Haiti, Filipinas, Indonésia, Paquistão, Bangladesh, Malásia e sobre toda a África Ocidental (Senegal, Costa do Marfim, Camarões e Burkina Faso).
São rebeliões dos mais pobres e limitadas ao âmbito urbano. O campesinato, por agora, não se amotinou, e as classes médias não se juntaram aos protestos. Mas o farão se os preços da comida continuam a aumentar. E estes vão subir pois o parodoxal desta situação é que nunca a produção agrícola foi tão abundante. Ou seja, a carestia actual não se deve à penúria mas a outros factores. Haverá pois novos motins pela fome e durante um largo período. Os quais se traduzirão em novas ondas de emigração. Pois a comida representa já 75% dos rendimentos das famílias dos países pobres, contra 15% dos países ricos. Ler Mais...

quinta-feira, 8 de maio de 2008

O Estado e as corporações

Não restam dúvidas de que se assiste, hoje, ao recrudescer de um corporativismo póstumo: depois do corporativismo sem corporações de Salazar (até a Câmara Corporativa não passava de um adorno onomástico do regime), as modernas corporações (com Ordem ou sem ela) sentem-se com força para imporem os seus interesses à revelia de qualquer instituído corporativismo!
Trata-se, naturalmente, de um sinal inquietante de alguma desagregação social e que fica a dever-se, por um lado à demonstração de fraqueza do Estado, por outro ao arreganho da força de determinados grupos organizados, vulgo corporações. Mesmo que essa fraqueza se revele ‘apenas’ na ausência de uma orientação normativa da acção dos agentes sociais, o certo é que traduz uma clara demissão das funções que competem ao Estado (por inércia, inépcia ou conivência). Que é aproveitado, como é óbvio, pelos grupos mais poderosos e/ou organizados, que assim ganham uma maior margem de manobra na defesa e promoção dos seus interesses particulares.
Ao contrário, pois, do que se pretende insinuar, o nosso Estado, sendo centralizador e omnipresente, é, contudo, fraco: na regulação dos interesses, cede perante os mais fortes, compensa-se junto dos mais fracos – esta, aliás, a suprema prova da sua debilidade crónica.

Estes preliminares servem para enquadrar um tema muito presente em notícias e factos com que nos confrontamos diariamente. Só para referir os últimos:
– O episódio da designação do novo Director da Polícia Judiciária (já abordado noutro local deste ‘blog’), objecto de reacções epidérmicas de juízes e magistrados, por considerarem invadido suposto território próprio por competências alheias;
– As múltiplas notícias que têm vindo a público sobre as listas de espera para operações às cataratas: da solução... de Cuba (essa mesma, a ilha maldita do não menos ‘execrável’ Fidel, origem do indignado coro das vestais do costume!), à solução do Hospital do Barreiro, através da contratação de um especialista espanhol!
Relata este médico ao DN, indiferente às "críticas" de que diz ter sido alvo dos colegas portugueses: "Eu percebo a preocupação deles e sei porque há listas de espera tão grandes em Portugal. É que por cada operação no privado cobram cerca de 2000 euros". O oftalmologista espanhol, inscrito na Ordem dos Médicos portuguesa, cobrou 900 euros por cada operação realizada no Barreiro!
Mais palavras para quê?

O papel da 'Baga de Sabugueiro' na crise alimentar

Andávamos nós por aqui às voltas com as razões, as imediatas e as mais profundas, da recente crise sobre a escassez de alimentos, o mundo meio aturdido na busca de soluções, quando afinal a explicação estava mesmo ali, no bolso de um deputado do CDS (não fixei o nome, mas isso de modo algum diminui a importância científica do achado).
No âmbito do debate sobre a moção de censura ao Governo apresentada pelo PCP a propósito das alterações à Lei do Trabalho, o tal deputado de que não fixei o nome decidiu levantar - com total a propósito, refira-se - o problema da crise dos alimentos. E, de repente, lá estava a aterradora descoberta: escondida, é certo, no meio duma enumeração longa de produtos, à mistura com outras tantas percentagens, sobressaíam, sem sombra de dúvidas, as relativas (também não fixei o valor, isso é coisa de especialistas), imaginem, à baga do sabugueiro.
Incrível é como ainda ninguém se tinha lembrado disto!
Agora, porém, tenho a certeza de que inúmeros outros tratadistas, analistas, cronistas e demais especialistas se irão debruçar sobre o alcance de tamanho avanço científico, glosando o tema de mil maneiras.
Uns, tentando explicar o fundamento da ‘coisa’ – mas agora é fácil!
Outros, procurando apoucá-la e até denegri-la – invejosos!

MONSTRA - 7º Festival de Animação de Lisboa

A Monstra é um festival de cinema de animação bem implantado em Lisboa, cuja 7ª edição decorrerá entre os dias 8 e 18 de Maio, tendo como centro nevrálgico de exibições o Teatro Maria Matos.
O objectivo do certame é celebrar a animação em todas as suas vertentes, com uma forte aposta na formação (mais uma vez, estão garantidos workshops e masterclasses com alguns mestres da animação) e apresentando programas que unem o cinema imagem a imagem às artes plásticas, performativas, musicais ou outras.



quarta-feira, 7 de maio de 2008

Futuro Comprometido

FUTURO COMPROMETIDO
One of the penalties for refusing to participate in Politics is that you end up being governed by your inferiors." "A penalização por não participares na política, é acabares a ser governado pelos teus inferiores" PLATÃO

Futuro Comprometido, é o nome do Blogue do José Sousa, um economista meu Amigo que, de resto, está intimamente ligado aqui, ao “Quebrar sem Partir”, pois foi com a sua colaboração que nos aventuramos a “entrar” no Blogger.
Sendo o Zé um estudioso da temática ambiental, o “Futuro Comprometido” é um Blogue muitíssimo bem informado, muito documentado que merece a(s) Sua(s) visita(s).
Ora, e enquanto não sabemos “instalar” os Links de terceiros ( para isso vamos, naturalmente, precisar da colaboração do Zé Sousa), coloque, então e para já, o Futuro Comprometido nos Seus “favoritos”…

"Meninos rabugentos"


A Senhora Dra. Maria José Morgado também é magistrada e aceita o recentemente nomeado Director da Polícia Judiciária ( Almeida Rodrigues ) por ser um operacional de carreira com muita experiência e sucessos em casos de investigação que se tornaram bastante mediáticos.
Parece-me, sem dúvidas, que se trata aqui de competência.
Mas, penso eu e tenho a certeza que também uma grande parte dos portugueses pensará que tinha que vir à baila qualquer coisa que não haveria de estar bem. Infelizmente, já estamos todos habituados a estes desabafos lastimáveis: “Não é um juiz ou um procurador e então, ai jesus!, que temos que nos pôr a pau”.
Afinal onde está o espírito de missão, onde está a tolerância, onde estão todos estes chavões?
Reconheço que é a primeira vez que é nomeado alguém com este perfil e que há outros magistrados nos quadros internos desta polícia mas, e depois?... não há sempre uma primeira vez para tudo? Qual é afinal o complexo destas pessoas, será de superioridade ou de inferioridade?
Por acaso este Senhor que foi nomeado até é licenciado em direito, agora imaginem a bronca que seria se assim não fosse.
Só pretendo deixar aqui a minha opinião e vontade expressa e permitam-me a arrogância de vos transmitir o seguinte:
Eu sou Português, tenho todas as minhas obrigações fiscais zelosamente em dia, procuro aperfeiçoar, diariamente, os meus deveres de cidadania e portanto tenho o direito de poder exigir e dizer, eu quero lá este Senhor, não tenho confiança noutra pessoa qualquer porque este sim, inspira-me confiança, conhece o terreno, tem experiência e sabe como e o que é preciso para o cumprimento das missões da polícia melhor que outra pessoa qualquer.
Deixem o homem trabalhar, deixem-no demonstrar os seus conhecimentos e perícias e depois critiquem o que tiverem que criticar. Já estamos cansados, é sempre a mesma treta! Parecem meninos rabugentos!
Senhor Director, o Senhor vai defrontar dois desafios, os criminosos cá fora e as dores de cotovelo aí dentro.
Desejo-lhe coragem, determinação, liderança e boa sorte.
Só mais uma coisa, devolva aos portugueses a garantia de poderem passear na rua e dormirem à noite, descansados e com segurança.
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